23 de agosto de 2026

A revolução digital do SUS: Como a tecnologia está transformando a saúde pública no Brasil

Ana Estela Haddad detalha avanços do Meu SUS Digital, a expansão das telecirurgias robóticas e o plano para a soberania de dados

Em uma entrevista exclusiva com o jornalista Luís Nassif no canal TV GGN [assista abaixo], a ex-secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad, apresentou um panorama das transformações tecnológicas que estão moldando o Sistema Único de Saúde (SUS). Licenciada do cargo para participar da campanha do presidente Lula à reeleição, Ana Estela explicou que a transformação recente do SUS culminou na consolidação da Política Nacional de Informação e Saúde Digital, uma iniciativa que sintetiza as ações e estratégias dos primeiros quatro anos de gestão da secretaria para promover a articulação interfederativa e a transformação digital de forma tripartite. Aprovada por unanimidade no Conselho Nacional de Saúde, a política estabelece diretrizes sólidas para o futuro da saúde digital no país.

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Um dos maiores destaques apresentados pela ex-secretária é o aplicativo Meu SUS Digital, um “super app” que funciona como um canal de comunicação direta com o cidadão. Ana Estela explicou que a plataforma realiza o sonho de devolver ao paciente a propriedade de seu histórico clínico. Com a nova infraestrutura, os dados de saúde acompanham o usuário em seu próprio celular, permitindo que ele seja atendido em qualquer localidade do país sem a necessidade de repetir exames desnecessariamente. De forma complementar, a plataforma SUS Digital Profissional garante que os médicos acessem esse histórico unificado no momento do atendimento, promovendo a continuidade do cuidado e aumentando significativamente a segurança e a qualidade do diagnóstico.

A telessaúde também foi apontada como uma ferramenta essencial para ampliar o acesso à saúde, reduzir deslocamentos e diminuir o tempo de espera em regiões com vazios assistenciais. Além disso, o SUS já começa a dar os primeiros passos na oferta de telecirurgias robóticas. Embora o país ainda enfrente gargalos como o alto custo dos equipamentos e a necessidade de certificação adicional para os cirurgiões, testes de conceito bem-sucedidos estão sendo realizados em grandes centros, como o Hospital do Amor em Barretos, a USP e a UNIFESP. Para viabilizar esses procedimentos de alta complexidade, a secretaria estruturou, junto ao Ministério das Comunicações e ao DataSUS, uma rede de conectividade de alta performance com latência próxima a zero e redundância garantida, além de exigir equipes médicas altamente preparadas em ambas as pontas do procedimento para assumir o caso em qualquer eventualidade.

Outro pilar estratégico da gestão de Ana Estela é a busca pela soberania digital e de dados. Diante do imenso volume de informações gerado pelo SUS — que realiza cerca de 2,8 bilhões de atendimentos anuais —, a secretaria desenhou um plano faseado em parceria com o Serpro para migrar toda a infraestrutura operacional e de dados para o controle do território nacional. A ex-secretária ressaltou a alta complexidade dessa transição, explicando que, diferentemente de outros setores públicos, os sistemas de saúde lidam com suporte à vida e não podem ficar fora do ar por sequer algumas horas, exigindo um planejamento minucioso e sem interrupções.

Esse esforço inovador tem posicionado o Brasil como uma referência global em saúde digital. Ana Estela revelou que o país foi convidado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para se tornar um centro colaborador na área, fruto do reconhecimento internacional de que o Brasil foi pioneiro ao criar uma secretaria nacional de saúde digital com status equivalente ao de um vice-ministério.

A entrevista exclusiva foi transmitida ao vivo na noite de quinta-feira, 20 de agosto de 2026, no canal do YouTube da TV GGN. Assista abaixo:

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  1. grevista

    22 de agosto de 2026 10:38 am

    Conceição Lemes é uma das mais importantes jornalistas em Saúde Pública. Toca o blog VioMundo. Essa questão é uma das que estão sendo discutidas por lá. Mas ela prefere dar ouvido aos profissionais do chão de fábrica, dos corredores e salas de hospitais e postos de saúde em lugar dos que ocupam cargos estaduais e federais. O link abaixo mostra isso:

    https://www.viomundo.com.br/blogdasaude/entidades-questionam-politica-de-informacao-e-saude-digital-e-pedem-ao-ministerio-da-saude-audiencia-publica.html

    Ana Estela é, sem dúvida, uma profissional competente, conhecedora de sua área. Mas há enormes dificuldades na interlocução com os trabalhadores. Dialoga-se bem com os donos de hospitais, com os donos dos planos de saúde. Mas, e os trabalhadores? Sua voz será ouvida, respeitada e suas ponderações acatadas? Talvez esse seja um dos pontos cruciais que levem muitos a definir o lulismo como uma vertente do neoliberalismo nacional: a dificuldade ou a recusa de dialogar e ter os trabalhadores das áreas envolvidas como construtores da política pública sendo realizada. O IBGE mostra isso; o MEC,as universidades e institutos federais; a gestão de Esther Dwek à frente do nome atual do ministério da administração (ou DASP, caso queiram, só se muda o nome). Em todos os casos, a negativa em reconhecer os trabalhadores da área como interlocutores e, em consequência, desprezá-los, é a regra. No caso do MEC, a greve das IFEs terminou há mais de dois anos e até hoje os acordos de greve não foram cumpridos efetivamente.

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